O fenômeno Leicester, que foi campeão inglês há duas temporadas, abriu os olhos de muitos apostadores para os palpites de longo prazo. Nesse quesito podem ser incluídos os bilhetes criados antes das competições que só serão definidos depois de algumas dezenas de rodadas e quase um ano após a conclusão da aposta.

A inédita conquista do pequenino clube da Inglaterra na Premier League permitiu que palpites com o valor de 5 libras esterlinas permitissem retorno de mais de 5 mil unidades da moeda britânica para o bolso. Obviamente, em um ramo onde tudo o que se deseja é lucro alto, fez com que o mercado “vencedor do torneio” passasse a ser visto como opção a ser considerada para obter a multiplicação do capital da forma que se deseja.

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Possibilidades para isso não faltam. Em praticamente todas as casas de apostas mercados desse tipo podem ser encontrados. Eles especulam sobre quem vai ser o próximo campeão nacional, o vencedor de copas tanto locais quanto internacionais e, especialmente, focam suas atenções em torneios que chamam a atenção de todo o planeta como o Mundial de futebol e os Jogos Olímpicos.

Longo prazo não significa lucro alto

A espetacular conquista de um time de poucos recursos no Campeonato Inglês, a liga nacional com maior visibilidade no planeta, fez com que muitos apostadores, especialmente aqueles com pouca experiência no ramo, passassem a acreditar que palpites de longo prazo trarão lucros gigantescos. Se forem acertados, naturalmente.

Isso não é necessariamente verdade. O lucro extraordinário alcançado com o título do Leicester não se deveu apenas à antecedência com que foi feita a aposta, mas sim pelo sucesso de um azarão.  Se um palpite de longo prazo para o vencedor da Premier League fosse para Chelsea, Manchester United, Arsenal, Manchester City ou Liverpool, por exemplo, mesmo que fosse bem-sucedido, jamais conseguiria retorno similar.

No caso do Leicester foi aproveitada uma janela de oportunidade rara. Na medida em que o clube abria vantagem na liderança e mostrava solidez em seus resultados, a cotação apresentada para seu sucesso ia sendo reduzida a cada rodada.

Exceções devem ser deixadas de lado na hora das decisões de investimento

Foi claramente uma situação de exceção. Não é essa a regra das apostas. O mais comum nesse mercado de alto risco é que o favorito ou grupo de equipes com maior possibilidade de vitória confirme sua condição. Os azarões só aparecem no topo em raríssimas ocorrências.

Tome-se, por exemplo, o mercado vencedor da Copa do Mundo da Rússia, que no momento nem pode ser classificada como aposta de longo prazo, mas sim de médio, uma vez que o torneio será realizado nos meses de junho e julho próximos. É possível encontrar nas casas de apostas retornos de até 1001 por 1 para azarões como Panamá ou Arábia Saudita. Mas, na prática, qual é a possibilidade de uma dessas equipes erguer a taça?

No caso do Leicester, a conquista foi a primeira desse tipo em mais de cem anos de Campeonato Inglês. Jamais houve um fenômeno semelhante, especialmente depois da criação da Premier League. No Mundial, a possibilidade de zebra é até mesmo um pouco maior, pois para chegar ao troféu são exigidas sete partidas enquanto na Inglaterra são disputadas 38 rodadas. Assim, baseado em fatos, estatísticas, histórico de preparação das equipes, não há uma razão sequer justificar um palpite nos azarões citados acima.

Análise deve levar em conta maiores candidatos à vitória

Logo, para responder a pergunta que gerou esse post, será preciso fazer uma análise a partir das possibilidades que apresentam chances reais de incidência. Isso significa arriscar palpite na vitória daqueles times que podem ser considerados os ‘’favoritos de sempre’’. Nesse bloco estão Alemanha, Brasil, Espanha ou França. Eventualmente esse grupo pode ser estendido para seleções promissoras como a Bélgica ou até mesmo Portugal, que levou a última taça da Eurocopa.

Nesse caso, os prêmios oferecidos por Sportingbet, por exemplo, permitem retorno entre 450% e 2200%. São cotações tentadoras, é verdade. Porém, embutem riscos que vão além dos habituais.

Quanto mais distante o evento, maior a imprevisibilidade

Quando se faz uma aposta em um jogo que vai acontecer no mesmo dia, o apostador sabe como foi realizada a preparação das equipes, conhece os resultados recentes, os jogadores que estão disponíveis para a partida, os contundidos e suspensos, enfim, tem dados atualizados que lhe permitem fazer uma avaliação de melhor qualidade sobre as probabilidades de cada resultado e só então fazer um investimento na previsão que considera mais adequada.

Quanto maior o intervalo entre a aposta e o evento, maiores a chances de imprevistos!

Em apostas de longo prazo que exigem palpites antes do início da disputa visando buscar lucros maiores, isso simplesmente não existe. Para alcançar as cotações maiores é preciso arriscar uma previsão em um momento em que as equipes estão em processo de formação, a janela de transferências segue aberta permitindo aos clubes fazer contratações que mude seu patamar e ainda há uma imensa porta escancarada de incidentes que não podem ser previstos. Logo, o risco é imensamente maior que o assumido um pouco antes da competição ou mesmo durante a realização do evento.

Embora tal critério seja subjetivo é difícil encontrar cotações atraentes o suficiente para que tal investimento seja considerado compensador. Voltemos ao exemplo da próxima edição da Copa do Mundo. Alemanha e Brasil, que figuram nas casas de apostas como favoritos à conquista do título na Rússia, surgem com prêmios na faixa de 5,50 a 6,00, ou seja, apresentando lucro potencial de 450% a 500%.

Pode-se dizer que o palpite na seleção alemã seja uma aposta com relativo grau de segurança. Afinal, se trata de uma equipe que foi campeã mundial em 2014 e manteve alto padrão de rendimento dos torneios que disputou desde então. No entanto, como em todo e qualquer investimento, resultados do passado não podem ser usados para prever ganhos futuros.

Aposta só na final geraria lucro de 100%

Se os alemães alcançarem a final da Copa de 2018 e enfrentarem outra equipe de primeira linha, muito provavelmente as premiações oferecidas pelas casas de apostas serão na faixa entre 2,00 e 3,00 por 1 para vitória essa partida. Tome-se a mais baixa como referência. Propiciaria um lucro de 100%. Ofereceria, porém, risco muito menor que a de longo prazo uma vez que será possível analisar os jogos disputados pela seleção no torneio, os jogadores que estarão disponíveis para a decisão e, naturalmente, a exclusão das 30 outras equipes que tinham possibilidade de conquista de título. Tudo isso diminui significativamente o risco.

Apostas próximas ao evento geram lucro com menor risco

A ausência da possibilidade de uma previsão mais consistente não é o único problema das apostas de longo prazo. É também grande obstáculo apresentados por esse tipo de ferramenta é o ‘’congelamento’’ do capital por grande período. Tão logo o cupom é criado, o dinheiro fica preso com a casa de apostas e nesse período não pode ser usado para qualquer outra coisa.

Para os investidores, falta de capital para aproveitar as oportunidades de surgem podem causar prejuízos ainda maiores do que o lucro potencial a ser obtido no caso de o palpite ser vencedor. Assim, sem qualquer dúvida, é possível responder a pergunta que gerou o post com um claro não. Como regra geral, as apostas de longo prazo não são compensadoras para quem faz desse ramo seu meio de vida. Os lucros apresentados não compensam os riscos envolvidos nem a indisponibilidade do capital por longos períodos.